produto
Solis
fundação solidaridad
app, versão web e cms
2023 até hoje
papel
designer de produto na concepção e no lançamento (2023) e coordenadora de produtos digitais (desde nov. 2024)
frentes
pesquisa de campo, marca e identidade visual, interface do MVP, testes com produtores e produtoras, capacitações, lançamento, redefinição do produto, interface do CMS e priorização do roadmap
utilização de ia
a parte final do projeto foi desenvolvida com apoio de inteligência artificial
O Solis é um aplicativo de compartilhamento de boas práticas agropecuárias entre produtores e produtoras. O formato é o de rede social de vídeos curtos: quem já faz mostra como faz, com a própria voz e o próprio rosto.
Mas ele nem sempre foi assim. O produto nasceu em 2023, dentro do projeto Ferramentas Digitais para Transições Agroecológicas, da Fundação Solidaridad com o CIAT, o Centro Internacional de Agricultura Tropical, a partir de seis oficinas com 91 participantes no Pará. A primeira versão foi desenhada como uma ponte com o Extension Solution, o aplicativo dos técnicos extensionistas: o fluxo funcionaria como um ping-pong, do Extension o técnico enviaria as boas práticas para o produtor, no Solis o produtor cumpriria e anexaria evidências da adoção, e o técnico validaria a adoção de volta no Extension.
Essa versão foi testada em campo em setembro de 2023, apresentada aos produtores nas capacitações de outubro e lançada em dezembro do mesmo ano. Em 2025 a ponte com o Extension foi descartada e o Solis passou a ser apenas uma ferramenta de distribuição de boas práticas por vídeos autorais dos produtores.
Em 2026 o aplicativo foi ativado em Mato Grosso e ganhou a funcionalidade Comunidades.
Hoje o produto está ativo e tem três faces: o aplicativo Android na loja, a versão web para iOS e computador, e o CMS onde os conteúdos e as comunidades são administrados por gestores do projeto.
junho 2023
COMO TUDO COMEÇOU: PESQUISA DE CAMPO
Uma página em branco e seis oficinas em quatro dias no Pará, em Novo Repartimento, no assentamento Tuerê e em Pacajá, com 91 participantes. Os participantes foram separados de propósito para dar voz a todo mundo: técnicos, produtores mais engajados, mulheres, jovens e produtores cooperados orgânicos. Cada grupo passou por mesas de trabalho sobre quais boas práticas valem a pena, como a informação sobre elas circula no território e o que cada um gostaria de saber sobre a própria propriedade.
A facilitação foi conduzida por Karine Faleiros, da Oficina do Encontro, e Valéria Freixedas, da Conectividades, com facilitação gráfica de Bruno Cared, da Desenhando Ideias. Da unidade digital da Solidaridad estiveram presentes o gerente da unidade (Denis Oliveira), a analista de produtos (Sheron Silva), o desenvolvedor front-end (Anderson Floriano) e eu, na época como designer do produto.
Quatro achados atravessaram quase todos os grupos e começaram a definir o produto. O primeiro e mais relevante mostrou que a maior motivação para adotar uma prática é ver o resultado do vizinho, não um argumento técnico. Em seguida, notamos que boa parte dos produtores mais velhos tem dificuldade com leitura, então o conteúdo precisaria ser audiovisual. Depois, vídeo curto com cara conhecida foi citado espontaneamente como o formato desejado, com referência direta ao TikTok. Por fim, notamos que em boa parte da região a conexão é ruim ou inexistente.
O grupo dos jovens foi o mais objetivo sobre soluções digitais. Eles se ofereceram para produzir os conteúdos, para ensinar os outros a produzirem os seus e pediram um canal próprio do território.
julho a agosto 2023
EVOLUÇÃO DO MVP
Depois de avaliar o material da pesquisa de campo com os times de negócios, produtos e desenvolvimento, criamos um MVP mobile com duas funcionalidades: uma voltada para a adoção de boas práticas e outra com o feed de vídeos, para o compartilhamento de conhecimento audiovisual. Cada uma respondia a uma demanda. O feed era o que os produtores pediram e elaboraram nas oficinas. Já a integração com o Extension Solution era uma exigência de um dos financiadores, que buscava aprimorar o fluxo de trabalho dos técnicos. O ciclo funcionaria como um ping-pong: no Extension, o técnico coleta os dados da propriedade e o sistema gera um plano de ação; ele envia as práticas recomendadas ao produtor, que as recebe no Solis; o produtor adota a prática e devolve a evidência para o técnico aprovar. Era a frente de maior risco, porque dependia de o produtor entender um fluxo de trabalho compartilhado com o seu técnico.
Para ganhar tempo, a interface do MVP foi montada com os componentes que já existiam em outros aplicativos da Fundação Solidaridad. Não era o momento de desenhar do zero, e reaproveitar manteve a atenção dos testes onde ela importava: na arquitetura de navegação e no fluxo. As únicas coisas criadas foram o logo e a paleta do aplicativo, decisões que se mantêm até hoje.
#42c16c
#21a358
#14663a
#f4f2ec
#1c211d
setembro 2023
PRIMEIROS TESTES EM CAMPO
Os primeiros testes aconteceram no interior de São Paulo, em Barra Bonita, Jaú e Matão, na propriedade e no aparelho dos próprios produtores. A mudança de território foi uma decisão de logística e de parceria: outros parceiros que também investiram no projeto precisavam participar do processo, e testar em São Paulo alcançava mais produtores do que uma viagem longa ao Pará, tanto em custo quanto em tempo.
Cada sessão seguiu um protocolo de feedback tela por tela, com duas perguntas fixas, se as ações daquela tela estavam claras e se faltava informação, e uma escala de três faces. A escala em faces deu mais transparência às respostas, já que a dificuldade com leitura dos produtores tinha sido identificada nas oficinas.
outubro 2023
CAPACITAÇÕES E FINALIZAÇÃO DA PRIMEIRA RODADA
Os ajustes apontados nos testes de setembro foram aplicados antes desta rodada. Dessa vez, voltamos às mesmas cidades em São Paulo para capacitar os dois lados ao mesmo tempo: técnicos no Extension e produtores no Solis, juntos e ao vivo.
Era a primeira oportunidade de acompanhar o ping-pong em uso, com as duas pontas presentes, em vez de avaliar cada aplicativo isolado como em setembro. Na prática a troca é assíncrona, o produtor recebe a tarefa em um momento e o técnico valida em outro, e foi justamente por isso que reunir os dois na mesma sala importou: ver de quem vem cada coisa é o que sustenta a confiança na ferramenta. O produtor precisa entender que a tarefa na tela dele foi enviada pelo seu técnico, com nome e rosto conhecidos, e não é uma sugestão automática do aplicativo.
Também testamos o feed de vídeos, e aqui o teste era outro: em vez de percorrer telas, produtores e produtoras gravaram os próprios vídeos na propriedade, com o técnico ao lado. Foi o que mostrou que gravar é a parte fácil, e publicar, com conexão intermitente, é a parte que precisava de atenção no produto.
Com a rodada encerrada, a ferramenta seguiu para os ajustes finais antes do lançamento oficial no Pará, em dezembro.
dezembro 2023
LANÇAMENTO NO PARÁ
Depois de outubro fizemos os últimos ajustes e voltamos ao território onde tudo começou, para mostrar às pessoas que ouvimos em junho o resultado do trabalho. O lançamento aconteceu com os mesmos grupos de produtores entrevistados nas oficinas e com os técnicos locais.
A versão lançada também respondia à conexão ruim, que foi apontada nas entrevistas e sentida por nós na prática: em algumas localidades, ter sinal de celular ou internet é complicado até para a equipe. O time de desenvolvimento montou um pré-carregamento em segundo plano, de modo que, sempre que o usuário está conectado, o aplicativo baixa uma quantidade de conteúdo para que ele consiga usar em regiões de conexão oscilante. Onde não há sinal nenhum, o feed não carrega nem pode ser pré-carregado, mas o plano de ação pode ser preenchido offline, e o aplicativo sincroniza sozinho assim que a conexão volta.
2024
TREINAMENTO LOCAL E EMBAIXADORES DO SOLIS
2024 foi um bom ano de vida do aplicativo, com as duas frentes ativas (plano de ação e feed). A maior parte do acompanhamento foi feito do escritório, mas as ações presenciais continuaram. Voltamos ao Pará para orientar os produtores locais em boas práticas de gravação e criação de conteúdo, indo até as propriedades para gravar junto: enquadramento, luz, o que contar em um vídeo curto e como publicar no aplicativo.
Ficou claro nessas visitas que algumas pessoas puxavam a conversa e ensinavam as outras. Foi daí que veio a ideia de um concurso para eleger cinco embaixadores do Solis no Pará, visando apoiar a difusão do aplicativo no território a partir de quem a comunidade já escuta.
A eleição foi apoiada pelos técnicos locais da Solidaridad, que conhecem bem os produtores da região, e conduzida por um time de facilitadores de comunicação. Eles aplicaram uma autoavaliação com os interessados, com perguntas sobre facilidade com o celular, gosto por gravar as próprias atividades, participação na vida da comunidade e disponibilidade para passar sete dias em São Paulo para um treinamento intensivo. O critério não era quem produz melhor, e sim quem já é referência de boas práticas e tem vontade de compartilhá-las.
Os cinco eleitos passaram a semana de 29 de julho a 1º de agosto em São Paulo. A agenda misturou formação audiovisual, fundamentos de gravação, edição em aplicativos gratuitos, storytelling e engajamento em redes, com temas de conteúdo, agroecologia e boas práticas de bovinocultura. Cada dia terminava com produção de vídeos e rodada de feedback sobre o que o grupo tinha gravado no dia anterior. Houve ainda uma visita ao Fundo JBS, com passagem pelo estúdio de mídias digitais, e a semana fechou com um plano de ação individual por embaixador.
2025
A VIRADA DE ROTA
Em novembro de 2024 assumi a coordenação de produtos digitais, e foi nessa posição que conduzi a mudança de rota do Solis. Descartar a integração com o Extension foi uma decisão de design e de negócios diante da entrada de novos financiadores e parceiros no projeto. Ao desenhar o fluxo de primeiro acesso, ficou claro que o Solis só teria tarefas para mostrar a um produtor já cadastrado no Extension, com técnico designado e plano de ação em andamento. Quem baixasse o app por conta própria, sem projeto ativo, teria acesso somente ao feed.
Isso invertia o propósito do produto. A razão de existir do Solis é alcançar quem está fora do alcance da assistência técnica presencial, e a dependência do Extension transformava a base de produtores atendidos em teto de público. A escolha estratégica foi cortar a ponte entre os dois aplicativos e manter o Solis autônomo: qualquer pessoa instala, vê conteúdo e pode publicar o seu.
Com a mudança de escopo, propus uma revisão de layout que reuniu tudo o que aprendemos nos anos anteriores. O feed passou a ser a tela inicial, os perfis ganharam identificação de quem publica (selos de embaixador, equipe ou produtor), o vídeo abriu em tela cheia com descrição expansível, e o compartilhamento passou a sair para WhatsApp, mensagens e e-mail, que é por onde o conteúdo circula de verdade no território.
O ano de 2025 também foi quando comecei a olhar para inteligência artificial como uma aliada no processo, pensando em estratégias para agilizar o desenvolvimento e desempenho do produto.
janeiro 2026
COMUNIDADES E NOVOS TERRITÓRIOS
Com a nova parceria do WWF em curso, o Solis foi ativado em Mato Grosso e, por uma necessidade do projeto, ganhou a funcionalidade Comunidades para agrupar pessoas e conteúdos por território, tema, cultura ou interesse. A apresentação do app a estudantes de Medicina Veterinária em parcerias com a ESALQ-USP e EMBRAPA abriu um uso que não estava previsto: jovens técnicos em início de carreira usando o Solis para mostrar suas competências e serviços aos produtores da região. Isso definiu o público prioritário para a criação de conteúdo.
Com o crescimento do aplicativo e a entrada de novos produtores, foi necessário tornar toda a estrutura mais sólida. Coordenei o uso de inteligência artificial (Figma Make e Claude) para auxiliar no processo de adaptação da interface e criei um painel CMS para agilizar o gerenciamento de conteúdo por administradores e gestores do projeto.
setembro 2026
ONDE CHEGAMOS
O crescimento do público veio devagar e é assim que ele se sustenta: cada território novo depende de gente que conhece a região e de alguém que já usa o aplicativo e mostra para o vizinho. Os testes presenciais e a convivência no campo foram o que mais me ensinaram ao longo desses três anos. Muita coisa que parecia resolvida na tela não se sustentava na propriedade, no aparelho do produtor, com a conexão que ele tem. Abaixo você pode selecionar o ano para acompanhar a evolução do Solis.
{{ s.rotulo }}
{{ s.valor }}
Os indicadores de conteúdo passaram a ser medidos em 2026, quando o CMS entrou no ar com o analytics próprio do Solis. Antes disso não havia registro de plays, curtidas ou comentários.
vídeos nativos
plays em
conteúdos nativos
curtidas na
plataforma
comentários
O aplicativo segue ativo, com cada vez mais produtores chegando. O próximo passo é criar um programa de criadores: os produtores poderão se inscrever para aprender mais sobre digitalização e serão remunerados pela criação de conteúdo, considerando aspectos técnicos e de qualidade do que produzem.